As Batidas das 3h33
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A chuva caía sem parar naquela madrugada.
Arthur estava acordado, como em todas as noites dos últimos quinze anos. O relógio digital sobre a mesa marcava 03:32.
Ele respirou fundo.
— Vai acontecer de novo...
03:33.
TOC... TOC... TOC...
As três batidas ecoaram pela casa.
Nem fortes.
Nem fracas.
Sempre exatamente iguais.
Arthur nunca teve coragem de abrir a porta.
Quando era criança, seus pais diziam que era apenas o vento.
Quando cresceu, descobriu que os vizinhos nunca ouviram aquelas batidas.
Elas eram apenas para ele.
Durante quinze anos, ignorou o chamado.
Até aquela noite.
— Chega...
Com as mãos trêmulas, caminhou pelo corredor escuro.
Cada passo parecia mais pesado que o anterior.
As batidas cessaram.
Ele girou lentamente a maçaneta.
A porta se abriu.
Do lado de fora...
Não havia ninguém.
A rua estava completamente vazia.
Apenas a chuva.
Arthur soltou uma risada nervosa.
— Eu sabia...
Foi então que percebeu algo aos seus pés.
Uma pequena caixa de madeira escura.
Sem remetente.
Sem fechadura.
No centro, apenas um símbolo gravado: um relógio com os ponteiros girando ao contrário.
Ele levou a caixa para dentro.
Assim que levantou a tampa, um brilho avermelhado iluminou toda a sala.
Lá dentro havia um relógio de bolso antigo.
Mesmo sem corda, ele estava funcionando.
Mas seus ponteiros giravam para trás.
No verso havia uma única frase:
"Não permita que o último segundo desapareça."
Arthur sentiu um arrepio percorrer a espinha.
— O que é isso...?
Assim que seus dedos tocaram o relógio...
O mundo inteiro ficou em silêncio.
A chuva parou no ar.
As gotas permaneceram suspensas.
O relógio da parede começou a girar ao contrário.
As luzes da cidade se apagaram uma a uma.
O chão tremeu.
Um estrondo ensurdecedor tomou conta do céu.
Arthur correu até a janela.
Seu coração quase parou.
A cidade... havia desaparecido.
No lugar dos prédios, existiam apenas ruínas cobertas por uma névoa azul.
No horizonte, um gigantesco relógio quebrado ocupava o céu, como se fosse uma lua.
E, pela primeira vez em quinze anos, uma voz respondeu às batidas.
— Finalmente... você abriu a porta.
Arthur virou lentamente a cabeça.
Atrás dele...
Havia alguém dentro da casa.
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